Da célula ao nascimento: ciência que conecta universidade e comunidade
Por Diúli Lopes e Estefany Soares
Levar a ciência para além dos muros da universidade é um dos principais desafios e, também, uma das maiores responsabilidades do ensino superior público. No Instituto de Ciências Biológicas (ICB), esse compromisso se concretiza por meio de projetos de extensão que transformam conteúdos complexos em experiências acessíveis, interativas e significativas para estudantes da educação básica.
Coordenados pelo professor Marcelo Alves Vargas, os projetos Embriologística e Uma Viagem ao Mundo da Célula vêm, há mais de uma década, aproximando a comunidade escolar do universo da Biologia. Embora tenham sido oficializados como projetos contínuos em 2023, suas ações já vinham sendo desenvolvidas anteriormente, tanto por meio de visitas às escolas quanto pela recepção de estudantes na universidade, estabelecendo uma importante via de troca entre a instituição e a sociedade.
O projeto Uma Viagem ao Mundo da Célula tem como principal objetivo apresentar conceitos fundamentais da Biologia celular de forma clara e acessível. A proposta envolve explicar o que são as células, suas estruturas e funções, além de abordar as diferenças entre células eucariontes e procariontes. Já o projeto Embriologística busca demonstrar o desenvolvimento humano desde a fecundação até o nascimento, organizando esse processo em etapas que os estudantes percorrem de forma dinâmica, muitas vezes estruturadas como uma feira de ciências.
Ao longo das atividades, os participantes têm a oportunidade de vivenciar a ciência na prática. Um dos destaques é o contato direto com instrumentos científicos, como microscópios e lupas, que permitem aos estudantes observar estruturas celulares e compreender melhor os conteúdos trabalhados. Como ressalta o professor, “muitas pessoas já ouviram falar sobre células, mas elas não têm a menor noção do que é uma célula, nunca viram na microscopia”, evidenciando a importância de proporcionar experiências concretas de aprendizagem.
As metodologias utilizadas combinam momentos teóricos e práticos. Inicialmente, são realizadas conversas introdutórias, nas quais os estudantes podem tirar dúvidas e interagir com os extensionistas.
Nesse contexto, um dos momentos mais marcantes das atividades ocorre justamente durante esse espaço de diálogo. Segundo o professor, após a explicação inicial, “eles têm oportunidade de fazer perguntas, e as perguntas são maravilhosas, assim. É a parte mais legal”. Ele também destaca que “as crianças, elas são muito curiosas”, o que torna esse momento especialmente significativo, marcado pelo envolvimento espontâneo e pelo interesse genuíno dos participantes.
Em seguida, são desenvolvidas atividades adaptadas à faixa etária do público. Para os estudantes do Ensino Fundamental, as ações assumem um caráter mais lúdico, incluindo a construção de modelos celulares. Já para os estudantes do Ensino Médio, além das práticas laboratoriais, também são abordados aspectos relacionados à vivência universitária e às possibilidades de formação na área da Biologia.
No caso do projeto Embriologística, os estudantes percorrem diferentes etapas do desenvolvimento humano, desde a fecundação até o nascimento, compreendendo as transformações que ocorrem ao longo do tempo. Essa abordagem sequencial favorece a compreensão do processo e contribui para uma aprendizagem mais significativa.
O público-alvo das ações é composto principalmente por estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, tanto de escolas públicas quanto privadas. A participação da comunidade ocorre, sobretudo, como público das atividades e é fundamental para o desenvolvimento das ações. Ainda assim, o professor destaca que há desafios importantes a serem enfrentados, especialmente no que se refere à ampliação do acesso.
Embora reconheça a relevância da extensão universitária como espaço de troca de conhecimentos e formação cidadã, o coordenador também aponta a necessidade de maior investimento institucional. A ampliação dessas ações depende diretamente de melhores condições estruturais e financeiras, especialmente para garantir o acesso de estudantes da rede pública, que frequentemente enfrentam dificuldades relacionadas ao transporte e à participação nas atividades.
Mesmo diante desses desafios, os projetos já alcançaram diversas escolas e estudantes ao longo dos anos, incluindo ações realizadas em outras cidades. Em muitos casos, as atividades são adaptadas para ocorrer diretamente nas escolas, ampliando o alcance das iniciativas e garantindo que mais estudantes tenham acesso ao conhecimento científico.
O contato com os projetos pode ser realizado por meio do Instagram @eye_research_lab_furg ou pelo e-mail biocelfurg@gmail.com, facilitando a comunicação com a comunidade interessada.
Mais do que transmitir conteúdos, os projetos coordenados pelo professor Marcelo reforçam o papel social da universidade pública ao democratizar o acesso ao conhecimento científico e estimular o interesse pela ciência. Nesse sentido, a extensão universitária se consolida como um espaço fundamental de aprendizagem, troca e transformação, beneficiando tanto a comunidade quanto os estudantes envolvidos.
